Endometriose e Adenomiose - reconhecer, tratar e viver melhor
27/01/2026
Guia útil para utentes, em linguagem simples
Sabia que a endometriose e a adenomiose são doenças ginecológicas frequentes, muitas vezes subdiagnosticadas, que podem causar dor pélvica, menstruações intensas e dificuldades em engravidar? O diagnóstico e o tratamento precoces reduzem a dor, melhoram a qualidade de vida e protegem a fertilidade.
O que são?
Endometriose: presença de tecido semelhante ao endométrio fora do útero (ovários, trompas, peritoneu, intestino ou bexiga). Pode formar endometriomas (quistos no ovário) e aderências.
Adenomiose: “invasão” do endométrio para dentro do miométrio (músculo do útero), tornando-o mais espesso e sensível. Costuma associar-se a menstruações mais dolorosas e abundantes.
Sabia que cerca de 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva pode ter endometriose? Muitas passam anos até obter um diagnóstico.
“Tenha em alerta” - sinais e sintomas
Procure avaliação se tiver um ou mais dos seguintes sintomas (sobretudo se persistentes):
Dismenorreia (dores menstruais intensas, que impedem atividades)
Dor pélvica crónica (mesmo fora da menstruação)
Dor nas relações sexuais (dispareunia)
Dor ao evacuar/urinar durante a menstruação
Fluxo menstrual muito abundante ou ciclos prolongados (adenomiose)
Inchaço abdominal, fadiga marcada
Dificuldade em engravidar (em alguns casos)
Urgência: dor súbita e intensa com náuseas/vómitos, febre, tonturas ou hemorragia muito abundante exigem avaliação imediata.
Como se diagnostica?
História clínica detalhada e exame ginecológico.
Ecografia transvaginal (especializada) para endometriomas e sinais de adenomiose.
Ressonância magnética pélvica em casos selecionados.
Laparoscopia pode ser necessária para confirmar e tratar focos de endometriose.
Sabia que registar ciclo, intensidade da dor e sintomas (numa aplicação ou diário) ajuda o médico a chegar mais depressa ao diagnóstico?
Tratamento - opções baseadas em evidência
O plano é personalizado consoante sintomas, idade e desejo reprodutivo.
Abordagem medicamentosa:
AINEs (anti-inflamatórios) para dor.
Tratamento hormonal para suprimir/estabilizar o endométrio:
pílula combinada (frequentemente em toma contínua)
progestativos orais/injetáveis
DIU-LNG (DIU hormonal) - útil na adenomiose
agonistas/antagonistas GnRH em casos selecionados
Cirurgia minimamente invasiva
Laparoscopia para remover focos/aderências e endometriomas preservando a fertilidade sempre que possível.
Na adenomiose refratária, quando o projeto reprodutivo está completo, pode considerar-se histerectomia (caso a caso).
Fertilidade
Muitas mulheres com endometriose conseguem engravidar.
Quando necessário, pondera-se PMA (procriação medicamente assistida) e preservação de fertilidade (conservar ovócitos), de acordo com a idade e extensão da doença.
Abordagem multidisciplinar
Fisioterapia do pavimento pélvico, Psicologia (dor crónica)
Nutrição (estratégias anti-inflamatórias)
Medicina da Dor - aumentam o controlo sintomático.
Dicas práticas para o dia a dia
Rotina de sono e gestão do stress (respiração, mindfulness) podem reduzir a perceção da dor.
Atividade física regular (adaptada) melhora energia e humor.
Calor local no baixo-ventre pode aliviar cólicas.
Alimentação equilibrada rica em fruta, legumes, leguminosas, cereais integrais e ómega-3; reduzir ultraprocessados e álcool.
Tenha um plano escrito de analgésicos (quem/quanto/quando) para as crises.
Sabia que algumas mulheres referem melhoria com ajustes alimentares? As respostas são individuais - peça orientação profissional.
Mitos & Verdades
“Dores menstruais fortes são normais.”: Mito. Dor que limita atividades não é normal; merece avaliação.
“Endometriose impede sempre a gravidez.”: Mito. Muitas engravidam; outras beneficiam de estratégias de fertilidade.
“A pílula 'mascara' a doença.”: Mito. A supressão hormonal é terapêutica validada para controlar dor e progressão.
Perguntas frequentes (FAQ)
A adenomiose tem cura? Tende a melhorar após a menopausa; até lá, controla-se com hormonas e, em casos refratários, cirurgia.
A cirurgia resolve para sempre? Pode oferecer alívio significativo, mas recorrências são possíveis; manter plano médico e seguimento é essencial.
Devo parar exercício? Não. Ajuste a intensidade às fases de maior dor; movimento ajuda.
Onde podemos ajudar
No Grupo Dr. Pinto Leite dispomos de Ginecologia com experiência em endometriose e adenomiose, Imagiologia dedicada, Fisioterapia do pavimento pélvico, Psicologia e Nutrição, garantindo diagnóstico rigoroso e planos personalizados do controlo da dor à preservação da fertilidade.
Tem sintomas compatíveis? Marque a sua consulta de Ginecologia.